"Há livros que contam uma história. Há livros que contam uma vida. E há livros que fazem algo mais difícil: deixam-nos entrar na cabeça de quem escreve. As Confis- sões do Padre Túlio Magro pertence a esta última espécie.Não é propriamente uma confissão, pelo menos não no sentido tradicional da palavra. O autor não se ajoelha perante o leitor para pedir absolvição. Pelo contrário: aproxima-se, provoca, desconcerta, brinca com aquilo que diz e, quando parece finalmente revelar-se, volta a esconder-se atrás de uma frase, de uma rima ou de uma ironia. É talvez essa a primeira característica desta obra: nunca sabemos exatamente onde termina o homem e começa a personagem.Túlio Magro escreve como quem conversa consigo próprio. E, nessa conversa, aparecem a vida e a morte, o amor e o desejo, a amizade e a solidão, a fé e a dúvida, a vaidade e a autocrítica. Aparecem também as pequenas coisas que, vistas de perto, deixam de ser pequenas. Logo no início, o autor parece antecipar a própria biografia:Na minha biografia,brilharão parágrafos de fotografias,Amores, feitos e netos,Heranças e projetose uma bibliografia"