Numa praça com amendoeiras centenárias, um contador de histórias aparece uma tarde e começa a falar sobre uma mulher de Nazaré.Ele a conhece como poucos conhecem alguém. Sabe o cheiro da casa dela, o peso das escolhas que ela fez, o que aconteceu no corpo dela quando o filho fechou os olhos na cruz. Conta com a voz de quem não leu de quem esteve lá.O grupo que se reúne ao redor do banco cresce a cada tarde. Mas ninguém pergunta quem ele é. Só uma menina de oito anos, com um caderno de capa azul e lápis na orelha, parece guardar uma suspeita que ainda não tem , Minha Mãe reconstrói a vida de Maria de Nazaré do jeito que raramente é contada: sem vitral, sem pedestal, sem distância. Uma mulher jovem que disse sim sem saber o tamanho do sim. Que criou o filho que pertencia ao mundo. Que ficou de pé quando tudo mandava cair. E que, quando a história acabou, não ficou narrativa sobre fé, sobre amor materno e sobre o mistério de quem permanece mesmo depois de partir.